Sobre mim
Sobre mim
Tenho a impressão de que escolhi o jornalismo antes mesmo de saber que ele poderia ser uma profissão. Sempre fui movida por uma curiosidade um pouco inconveniente. Quero saber por que as pessoas fazem o que fazem, de onde vêm as histórias que contamos e, sobretudo, por que algumas delas permanecem conosco depois que o filme termina ou quando a música acaba.
Em 2011, quando estava na oitava série, eu era uma usuária assídua do aposentado Tumblr. Passava horas naquele universo de filmes, músicas, fotografias, referências, fandoms e discussões sobre cultura pop. Na época, evidentemente, eu não pensava em nada disso como repertório. Só sabia que não me bastava gostar das coisas, eu tinha a necessidade de saber mais sobre elas. Quem tinha feito, de onde tinha vindo aquela ideia, o que havia por trás de uma cena, de uma letra, de uma imagem. E, quando descobria alguma coisa interessante, sentia uma urgência de compartilhá-la.
Foi assim que a cultura pop, antes mesmo de eu compreender a dimensão que ela teria na minha vida, me ensinou a prestar atenção nas histórias.
Mais tarde, encontrei no jornalismo uma maneira de transformar essa curiosidade em ofício. Vieram a reportagem, a entrevista, a crítica, a pesquisa, a produção de conteúdo e o contato com universos que ampliaram muito aquela dashboard de 2011. Cinema, música e televisão continuaram por perto, mas ganharam a companhia das artes, da arquitetura, do comportamento, da memória, da internet e de tantas outras formas que encontramos para registrar os nossos tempos.
Com o passar dos anos, também entendi que meu interesse nunca esteve restrito à palavra escrita. Uma história pode começar em uma pauta e terminar em um vídeo, pode estar em uma entrevista, em uma fotografia, em uma sequência de imagens ou na maneira como todas essas linguagens se encontram. É nesse território entre conteúdo, cultura e audiovisual que tenho construído meu trabalho.
Ainda gosto da pesquisa que antecede uma boa pergunta, da entrevista que toma um caminho que não estava previsto no roteiro e daquele instante decisivo em que uma ideia finalmente encontra a palavra ou a imagem certa.
No fundo, talvez meu trabalho continue sendo uma tentativa de fazer aquilo que a cultura sempre fez comigo: provocar curiosidade suficiente para que alguém queira olhar mais de perto.